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Sobre o que devemos fazer para começar um jogo

O Bom JogoPara que possamos explorar largamente este tópico, usarei de um exemplo que à primeira vista parecerá inapropriado, mas à medida em que aprofundarmo-nos nele, tornar-se-á clara minha intenção.

O que nos diz qual é o excelente jogador de futebol? Logicamente a sua perícia durante as partidas que disputa, sua técnica apurada e a sua constância em marcar gols, nos darão a clara noção de que este indivíduo é um craque. Mas o que ele faz para ser um ídolo futebolístico?

É esta a analogia que tento criar: seguir os passos de um garoto que um dia quer sagrar-se um grande atleta e, com os mesmos elementos, mostrar o caminho de um grandioso tarólogo.

Vamos então por tópicos:

a) Um jovem precisa treinar arduamente até adquirir a habilidade necessária a um exímio futebolista; igualmente, o tarologista pratica até atingir a mestria. O grande e fatal erro da maioria dos que jogam Tarot é a sua prepotência em achar-se isento da necessidade da prática de jogo. Sem essa intimidade, o tarólogo dependerá sempre de cartas com significados pré-formados, transformando o seu jogo num amontoado de pressuposições. A maior habilidade do jogador de Tarot é a sua intuição exercitada e aguçada; cartas não possuem significado prévio; fujam dos estilos que delimitam as informações de uma carta numa minúscula síntese de uma página de livro… para isso: somente o constante jogar!

b) Um aspirante a profissional da bola precisa cultivar um físico sadio e esguio, sem nunca perder de vista a força e resistência fundamentais numa partida. O profissional da tarologia também carece de um exercitar paulatino dos seus estados mentais e emocionais, para que o consulente possa contar com um interlocutor equilibrado, sensato e coerente nas suas atribuições. Para tanto, jamais podemos esquecer que, quando numa sessão de Tarot, o jogo é efetuado como num espelho, onde o que dizemos ao nosso ouvinte, estamos a falar a nós mesmos. É nossa obrigação estarmos em dia com nossas pendências existenciais para que a coerência – para não citar a verdade – permeiem nosso amado trabalho.

c) Um futebolista nato tem na bola a sua companheira de trabalho e diversão, tanto nos bons quanto nos maus momentos. Creio não ser preciso dizer qual o melhor amigo de um tarólogo. Quando você estiver com problemas, que tal empunhar o seu baralho e jogar para si mesmo? O tarologista que diz não conseguir ler para si mesmo é um enganador, pois temos em nós mesmos nossas melhores cobaias; e só jogaremos a outros após termos testado conosco. Isso faz um tarólogo respeitável: aplicar nos seus clientes apenas o que ele mesmo testou, ou seja, seu próprio jogo.

d) Os jogadores costumam zelar primorosamente pelos seus equipamentos e indumentárias esportivas. O bom tarólogo se mede pela forma de transporte e estado do seu Tarot. Caso você presencie um jogo sendo efetuado em qualquer lugar, sem uma toalha específica para esse fim e por uma pessoa sem o necessário asseio e postura física, estarás visualizando qualquer coisa, menos um correto manuseio do Tarot.

e) Já em campo, minutos antes do início da partida, é costumeiro ver-se todo um time a fazer embaixadas, chutes e passes para a melhoria da sua intimidade e entrosamento com a bola. Nos instantes que antecedem o princípio da sessão de cartas, o embaralhar das lâminas é fundamental para uma perfeita simbiose com o consulente, tanto como a mesa de jogo arrumada prévia e caprichosamente fará com que seu cliente sinta-se mais confortável em suas mãos. Lembre-se: nunca prepare a mesa às vistas do usuário; esse é o seu momento de concentração pessoal… acaso já viste um jogador profissional vestir-se em frente à sua torcida?

f) Para encerrar esta analogia pergunto-lhes: Você já viu algum craque, da magnitude de um Pelé ou Maradona, dizer publicamente que entende tudo de bola? Da mesma maneira, você nunca verá um grande tarólogo afirmar que conhece tudo de Tarot. A discrição faz o bom profissional. Com esses conceitos à mão, passa agora a ser possível o principiar do jogo em si, com a certeza de que tanto os preparativos pessoais quanto os técnicos preenchem as mais rigorosas regras de profissionalismo e competência. Só há um fiscal apto a verificar tudo isso; e ele é o seu maior e mais exigente crítico: você!

Extraído do livro “Pequeno estudo dobre a compreensão e apresentação de um bom jogo de Tarot (profissional)”, de Roberto Caldeira.

Roberto estará conosco no dia 22 de novembro, às 11h, com a palestra “Longe das regras, perto dos Arcanos”. Quem já assistiu qualquer apresentação dele se apaixona.

Posted outubro 14, 2014 in: Blog by Tarolog

  1. Perfeito, roberto!
    Concordo com tudo que vc disse, e gostaria de frizar que, na minha opinião, essa é a parte mais importante a se observar: “É nossa obrigação estarmos em dia com nossas pendências existenciais para que a coerência – para não citar a verdade – permeiem nosso amado trabalho.”

    Lucia Sindoya, 14/10/2014 at 14:13
  2. Tudo muito a ver o comparativo entre um bom tarólogo e um bom jogador de futebol. Realmente a princípio pensamos: o q isso tem a ver com o caso? mas fez total sentido! Gostei muito!

    Rose Ragazzon, 16/10/2014 at 18:45
  3. UM BOM PROFISSIONAL E FEITO DE AMOR, RESPEITO, ETICA , DEDICAÇÕ E HUMILDADE. ACREDITO NA PRATICA DIARIA DO TAROT , E SOU A CONSULENTE MAIS FIEL DE MINHA LEITURA, O LER PARA SI DEVE ESTAR ACOMPANHADO DE ESTUDO E REFLEXOES DA PRATICA TAROLOGICA. aDOREI O TEXTO. aBENCOADO SEJA SEMPRE!!

    Viviane macedo, 22/10/2014 at 22:40
  4. Muito boa a exposição roberto. Principalmente o ultimo item. E como diz vinicius de morais em “canto de Ossanha”:

    O homem que diz “sou”
    Não é!
    Porque quem é mesmo “é”

    Alvaro Domingues, 30/10/2014 at 04:52